terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Amigo temporário...


Hoje comprei um novo amigo temporário.

Um livro novo.

A ver se me esqueço por momentos do que se passa por aqui e entro naquele pequeno mundo.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

História 73

-Eu sou estúpido. Repete.
-Eu sou estúpido. Era bem verdade.
-Eu tenho uma rapariga linda do meu lado.
-Eu tenho uma rapariga linda do meu lado. Não concordava. Eras muito mais.
-Eu sou bonito.
-Eu sou bonito. Naquela altura não tinha qualquer interesse. Tu estavas do meu lado. Era o que mais queria.
-Eu gosto muito da minha princesa.
-Eu gosto muito da minha princesa. Princesa, Rainha, miúda, flor de estufa eras sempre tu e só tu.
-A minha princesa gosta muito de mim.
-A minha princesa gosta muito de mim. Isto estava bem penetrado na minha mente. Se não gostasses não passavas o que passaste comigo nem sofrias o que sofreste. Fiz-te sofrer. Muito. Sabia disso. Estúpido.
-Adoro dormir.
-Adoro dormir. Outra grande verdade.
-Adoro ainda mais dormir com ela.
-Adoro ainda mais dormir com ela. Esta sim. Esta era a verdade verdadeira. Nem era pelo que fazíamos na cama. Era pelo que sentia na cama. Adorava mesmo cada suspiro teu, cada respiração mais funda quando olhava para ti. O que mais gostava era quando acordávamos mais cedo do que era suposto. Eu e tu. Tu e eu. Tu com a cabeça no meu peito. Eu a passar-te a mão pelo cabelo. Não gostavas que ninguém te mexesse no cabelo. Nem eu podia mexer mas, ali podia. Ali era diferente. Fomos sempre diferentes. Naquelas manhãs em que víamos o sol mais cedo do que era suposto, falávamos os dois. Minha querida o quanto eu gostava de falar contigo. Não era só ali, mas ali gostava mais. Ali só te ouvia a ti. A ti e ao teu coração. Puro. Foi tal pureza que me conquistou primeiro. Só depois vieste tu. E vieste bem.
-EU AMO-TE!
-....... Já esperava que isto fosse acontecer. Para quê fazer isto numa manhã de quarta-feira?? Não estás bem no meu peito? Nunca te irei perceber. Mais uma verdade.
-Então? Não dizes nada?
-Não vamos começar pois não? Detestava quando começavas com isto logo pela manhã. Estragavas-me o resto do dia. Sabias disso. E sabia-lo bem. Fazias isto não era para eu ficar chateado contigo porque afinal de contas não tinha razão para tal. Fazias para me ajudar. Fazias muito por mim.
-Começar o quê? Custa dizer que me amas? Ou não é a verdade?
Saíste do meu peito. Ergueste-te levando o lençol contigo. Eras perita em o que não te pertencia contigo sem dizer nada a ninguém.
-Sabes bem qual é a verdade. Sabemos ambos a verdade.
-Então diz. Anda lá!
-Oh. Lá estamos nós com o mau feitio. Eu sabia muito bem que tu odiavas quando dizia isto. Era fugir do assunto. Eu não podia fugir deste assunto. Mas fugi e fugia. Tu não fugias deste assunto. Mas fugias. Fugias algumas vezes, o que me vale é que sabia que tu voltavas para me devolveres o meu coração.
-Não sejas assim e diz. Só sais daqui quando o fizeres.
Eu ria-me. Deitado e ria-me. Sabias bem que eu ia sair dali sem o dizer mas, tu eras assim, já estavas mentalizada em dizer aquilo e em não receber nada em troca. Tal e qual quando íamos para a praia e por volta das sete, sete e tal me dizias: "Bem são sete e pouco. Últimos raios de sol e vamos embora. Está bem?". Sabias bem que dizer isto significa eu pegar em ti e levar-te, á força, para o mar. Tu gritavas. Estúpido. Estúpido era o que me chamavas. Depois quando caiamos em tal água salgada mudavas de opinião. Agora era idiota. "Idiota, não gosto nada que me faças isto." e saias da água, ajeitavas o biquíni. Olhavas para mim na água e sorrias. Eu sabia que tu gostavas e tu sabias que eu sabia. Fazias aquilo por fazer. Era uma espécie de alarme para te levar á água de tal forma. Eu saia da água e dizia-te "Sabes bem que não me enganas ao dizer que não gostas. Se me queres enganar não olhes para trás e muito menos não te rias para mim." olhavas para mim já enrolada na toalha e vinhas com o "É a tua sorte!". Oh minha querida a minha sorte eras tu.
-Sabes bem que o que sinto. Não é preciso nada disto. Errado. Era bem preciso. E muito. Já iam dois anos e meio de namoro "sério" e da minha boca nunca tinha saído um "Amo-te!" dirigido a ti. É verdade. Não sei como chegamos a este ponto mas chegamos. O que mais admirava é que tu mesmo passado este tempo todo continuavas e, ainda bem, do meu lado.
-Não percebo. Não me entra na cabeça porque é que não dizes. E ias tomar banho.
Eu punha as mão na testa. Bocejava. Eu era diferente. Tinha medo do verbo amar. Parece estranho termos medo de um verbo tão único e ao mesmo tempo arrebatador como o verbo amar. Eu tinha medo. Não dizia amo-te aos meus amigos como eles me diziam a mim em mensagens. Não dizia amo-te ao meu avó nem quando ele teve um AVC. Não lhes dizia. Para mim, gostar gostava deles é verdade. Gostava muito que ninguém duvide. Agora não entendi o porque de utilizar o verbo amar? Para mim era como comprar quarenta pacotes de pastilhas, para quê? Se só consigo comer um pacote. Para dizer que tenho? Tenho um pacote e chega bem. Era como o amar. Para que utilizar o "amo-te" quando me dizem "Grande noite na tua companhia meu irmão. Amo-te!". Para quê? O gosto muito de ti não chegava? Ou então metam um < seguido de um 3. Prefiro. Prefiro muito mais.
Cheirava-me a chocolate com um toque de baunilha e de flores de campo.

Eras tu. Não me enganavas. Adoravas aquele creme. Pelos vistos eu também. Agora fui eu tomar banho e fazer a barba. Detesto ter barba. Ainda para mais cresce de pressa. A minha sorte é nascer certa e já estar tão habituado a fazê-la que agora já não dou por isso.
Quando voltava ao quarto apanhava-te quase sempre com o mesmo dilema. O que ias levar hoje vestido?! Tu já não me perguntavas porque já sabias a minha resposta. Mesmo assim esperavas sempre que eu te ajudasse. Tu ajudaste-me mais. Muito mais. Oh, minha querida como eras pura e como eu gostava de te ver olhar para as tuas roupas. Tinhas sempre um ar encantador. Deixavas-me encantado.
Tu sabias vestir-te e que maneira. Sabias do que eu gostava de ver em ti.
Calças de ganga e bota eras matadora mas matavas-me de vestido. E morri muitas vezes. Principalmente no Verão. Morria feliz e sabias disso. Oh, minha querida tu de vestido eras mesmo qualquer coisa e o vestido até podia ser qualquer coisa agora tu? Tu não. Tu não eras coisa qualquer.
Quando íamos á Marina, fosse qual fosse, e tu me largavas a mão davas uns bons passos para a frente. Já sabia o que ias fazer e adorava. Davas os passos e, de vestido, rodopiavas duas vezes e começavas a dançar. Tu. Tu que não gostavas nada de dançar. Ensinei-te o que sabia e eras melhor que eu. Dançavas até os meus passos se debaterem contigo e beijavas-me. Cada beijo uma profecia cada olhar uma alquimia.
Cativaste-me pouco desde que te vi. O pouco para mim já era muito visto que era pouco cativado por mulheres. Não me perguntem porque mas é a verdade. Olhava muito para ti e tu apercebias-te disso. Gostavas. Não julgava que isto iria ter esta dimensão sou sincero, cativavas-me mas não pensava que tão pouco que para mim já era tanto se tornasse pouco em tanto. Davas uma grande gargalhada quando te dizia que eras a minha primeira namorada. Não percebia o porquê. É suposto começar a namorar logo aos quinze ou aos doze? Que eu saiba não á idade certa para isso. Tu rias-te mas depois de te dizer isto aceitavas a minha "teoria" e dizias
"Pronto, pronto. Novato!". A gargalhada agora era minha refém. Gostavas da minha gargalhada. Era alta e sonante.

Levaste-me ao trabalho como de costume. Tinha carta mas medo de conduzir depois de um despiste que tinha tido. Não gostava de falar disso. A causa não foi álcool nem excesso de velocidade porque nem bebo álcool nem gosto de grandes velocidades. Foi somente óleo na estrada num curva e despistei-me. Parti o braço esquerdo. Ainda bem assim ao menos ainda podia escrever. Já te conhecia na altura mas ainda não gostava de ti. Ainda bem que tudo aconteceu sozinho. Nunca me perdoaria se te tivesse acontecido alguma coisa.
Falávamos mais no carro que qualquer estação de rádio possa imaginar. Sobre tudo. Era o nosso tema. Era porreiro. Era um tema abrangente. Dava para muito tempo e tempo era coisa que estava a nosso favor.
Éramos "invejados" por muitos dos meus, teus nossos amigos. Estamos sempre melhor do que parecia aos outros. E gostávamos de manter as coisas assim.
Eu tinha um defeito e tu um feitio. Eu o defeito de viver sem te dizer que te amava. Tu o feitio de viver sem um "Amo-te" de quem te amava. E amava-te muito. E amo-te. Apenas não te dizia. Tu aceitavas viver assim. Eu vivia assim porque tu aceitavas.
Nunca pensava no fim nem que o nosso amor iria terminar. Uma vez mais fui, como de costume, estúpido. Nós homens somos impressionantes. Erramos mais que as mulheres, não admitimos, e voltamos a errar. Não tomamos aquilo como um erro mas sim como uma medida que tinha de ser feita no momento. Estúpidos. É a palavra que mais nos engloba. Somos homens. Temos bom coração isso não se duvida. Sabemos utilizar bem o coração. Aí, mulheres duvidem sempre.
Dizias que o que mais querias era ouvir um "Amo-te" meu. Da minha boca. Querias ouvir. Porque escrito já te tinha escrito. No carro quando chovia e o vidro ficava embaciado. Aí escrevi algumas vezes. Depois desisti. Vi que para ti não era a mesma coisa. Também não era a mesma coisa para mim. Mesmo assim tentei.
Estúpido.
Tinhas um pedido tão simples que mais tarde de simples não teve nada. Oh minha querida realmente só damos valor ás coisas depois de as perder.
Tu perdeste. Eu não ganhei nada com isso. Aliás não ganhava nada quando perdias. Nem mesmo quando jogávamos á sardinha.
Tu fazias instrumentais num estúdio teu. Tinhas dinheiro é verdade. Mas ganhavas bem com o que fazias. Fazias bons instrumentais que aliás algumas bandas utilizavam. O teu talento valeu-nos bons concertos ao vivo.
Dito dia, telefonaste-me a dizer que te sentias inspirada e que tinhas de ficar mais tempo no estúdio. Eu respeitava sempre as tuas inspirações. Respeito mutuo não nos faltava. Disse
"Tudo bem. Eu peço ao Afonso ele leva-me. Beijo." Disseste-me para adiantar o jantar. Cozinhava bem e tu não gostavas de cozinhar. Preferias lavar a loiça. Eu preferia comer.
Ainda hoje não percebi como é que tal coisa foi acontecer. Isso e o que aconteceu ao Bolo de chocolate que tinha feito num sábado á noite para comer ao pequeno-almoço de domingo e que desaparecera. Tu juraste a pés juntos que não tinhas comido nem uma fatia. Eu juro que não sou sonâmbulo.
Mas o que te aconteceu a ti foi bem pior que o que aconteceu ao pobre bolo. A ti, foram uns simples, mas caros headphones que, te alteraram a vida. A tua e a minha. Foi-me dito quando cheguei ao hospital que tu tinhas ficado sem audição dos dois ouvidos.
Dos dois? Logo dos dois? Mas afinal merecias logo nos dois ouvidos? Eu adorava as tuas orelhas. E continuo a adorar. Amorteci a notícia de pé, recebi-a de rastos. A nossa questão é sempre porquê? Porquê tu? Porquê assim? Porquê agora? A resposta é sempre a mesma. Não recebes resposta.
Passei três semanas contigo no hospital. Passamos três semanas de mãos dadas. Passamos três semanas a trocar olhares. Passamos uma vida juntos.
Como é óbvio tudo se alterou na nossa vida, em casa, com os amigos. Enfim... Trabalhos que ocasiões da vida nos propõe.
Sorrias, apesar de tudo, para mim e ainda gostavas de dormir no meu peito. EU ainda gostava de te passar a mão pelo cabelo. Tu ainda me amavas. Eu ainda te amava. Tu dizias "Amo-te", eu ouvia. Eu dizia "Amo-te" mas tu não ouvias.
A vida levou-me a este ponto de ter tudo na mão e de não concretizar o teu simples desejo. Era simples. Foi simples. Não passava de um desejo teu. Um objectivo meu. Agora. Tarde. Estúpido.
O mais "cómico" no meio disto tudo é que o teu filme preferido continuava a ser o mesmo. Dizias que mesmo sem os ouvir sentias ainda mais o filme e o que nele se passava. Era com o teu actor preferido.
Assim comprei o DVD do teu filme preferido, fiz bolo de chocolate. Agora chorava sempre que via este filme. Eu não chorava em filmes tocantes. As voltas que a vida dá. Pressionei Play e antes de te deitares no meu peito gesticulei que te amava. Disseste-me "Eu sei!". Dei-te a mão e deixei-te apreciar o Kevin que tu tanto gostavas. Assim, eu mal via o titulo do filme caia-me a primeira lágrima, e tu davas o teu primeiro sorriso.

Assim, vimos "As palavras que nunca te direi".




quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Acontece (Parte 57)

Fui sempre um exemplo. Até aos catorze fui sempre um exemplo. Acreditem. Só queria era ser tenista profissional e não fazia mais nada. Quer dizer fazia, estudava, tirava boas notas e jogava ténis. Era supostamente feliz. Não olhava para Rainhas, Senhoras, mulheres, raparigas e oferecidas. Não queria saber elas de nada me valiam se nem sabia o que lhes dizer.
Jogava ténis. Continuava supostamente feliz.
Fui ao médico. É detectado um problema na coluna ao que se conclui que tenho de deixar de jogar ténis. Deixei de jogar ténis. Fiquei supostamente infeliz.
Continuava a estudar. Tirava boas notas.
Fiz quinze anos. O jogo mudou, agora embebedo-me de sexta a domingo. Sempre neguei o alcool. Menos agora. Agora agradeço quem mo oferece. Não fumo, acho estúpido e não gosto da "pinta" do fumador.Ando mais cansado que na altura em que só queria desporto e mesmo assim ainda não percebi que é pela má alimentação e por fazer o que só faria, se fizesse, por volta dos vinte anos.Era chamado de garanhão. Todas me queriam conhecer na escola. Era atraente e sabia bem disso. Dava uso ao que os meus pais me tinham dado e resultava. Resultava bem.Namorei com esta e com aquela com a outra que afinal era bem melhor que as outras duas juntas.
Namorava para elas, para mim não passava de um andar de mão dada no intervalo, á hora de almoço e ao domingo. Nunca percebi o domingo, porque razão é que é o dia de namorar domingo? Não é suposto ser todos os dias se der??Elas andavam todas de nariz empinado por namorar comigo. Eu anda de nariz empinado para ver se via algum café com uma boa esplanada para beber um fino. Ou mais. Nunca fui de beber só um. Nem na primeira bebedeira. Primeira bebedeira? Quando foi? Isso. Façam-me perguntas dificeis e desagradaveis agora. Não sei não me lembro. Vou fazer dezasseis anos agora portanto foi para aí á um ano.Um ano sempre no mesmo andamento. Como me alterei. Era um bom exemplo. Agora sou um exemplo bom, a não seguir.
Elas gostavam do meu ar ressacado e de quem acabou de acordar no sofá. Ressacado mas com boa roupa. Sim porque agora o que se gastava em raquetes e boas sapatilhas para desporto foi trocado para roupa de marca e de topo. Saldos como á dois anos anos atrás? Deves de andar louco.Era certo que gostavam de mim assim. Eu não percebia mas deixava andar. Sabia que se aquela me deixasse no dia a seguir recebia uma ou mais sms de uma rapariga interessada. Admito que seria mais que uma sms.Era admirado, muito, pelo simples facto de se "namorasse" era fiel. Muito. E elas sabiam disso. Elas comigo tambem eram. Espero e penso eu.
Acredito que foram.Só precisava do telemovel para falar com os meus amigos, poucos, e com ela.Os meus pais olhavam todos os dias para mim tristes não pelo que eu agora mas sim pelo que poderia ser. A minha mãe chamava-me todos os dias á atenção pela vida que andava a levar. Eu prometia que aos vinte as coisas mudavam. A minha mãe fazia fechava os olhos. Eu deva-lhe um abraço e dizia que podia ser bem pior.A minha mãe dizia-me para ultrapassar o que se tinha passado e para acreditar em alguma coisa. Perguntei-lhe o quê. Disse-me amor. Ri-me. Mal sabia eu o que me esperava. Dizia-lhe que nao sabia do que se tratava e que ainda nem o tinha visto. Voltava a fechar os olhos. Era maravilhosa a minha mãe.
Mudei de escola. Mudei de notas. Mudei de "namorada". Não mudei de vida. Andava ainda a beber mais. Agora tinha companhia. Os meus amigos bebiam tanto ou mais do que eu. Dependia da bebida. Era fraco nos shots. Eles sabiam e por vezes lixavam-me. Eramos poucos. Valiamos por muitos.
Agora já nem para estudar dava. Tinha festas á semana e o resto já se sabe.Dormia muitas vezes no sofá e fui apanhado muitas vezes pelo meu pai. O meu pai só olhava para mim nao me dizia nada. Dizia-me muito o olhar dele. Homem alto. Grande Homem. Homem da minha vida.Rapidamente já era conhecido pela escola toda, pela vida que levava pela maneira que andava vestido e pelas raparigas que caiam no meu encanto.Os meus pais ganhavam bem. Muito bem. Daí as noites correrem ainda melhor.
Ouvia muita música. Muita mesmo. Mas não ia para a noite para ouvir música ia para beber. Somente isso. Beber até me lembrar o tão patético que foi o meu amor pelo ténis. Pelo desporto. Bebo até me lembrar do certinho que era. E da suposta felicidade que eu sentia na altura. Bebia até ficar bebado e torto. Quem me conhecia já sabia que se eu saisse naquele dia á noite que o telemovel ficava em casa. Naõ valia a pea levá-lo. Não o usava.Por vezes a que estava caida no meu encanto ia comigo. Umas bebiam, não tento como eu mas sempre faziam companhia. Outras iam uma vez e não iam mais. Preferiam nao me ver naquele estado. Continuava fiel. Elas continuavam a gostar. Eu continuava a beber. Continuava supostamente infeliz.
Estava magro. Muito pelos vistos. Gostava de ir a pé para a escola. Mesmo com dezassete gostava. Ajudava. Se estivesse resacado o fresco na cara ajudava a encarar a primeira aula de outra maneira. Se nao tivesse ido para a noite ajudava a pensar na vida. Não gostava muito de pensar na minha vida. Nem de falar da vida dos outros. Gostava era de me por na vida dos outros. Trocar de vidas. Era divertido mas, preferia beber.Detestava que me chamassem bebado ou alcoolico. Agora já nem diferença me fazia.
Tinha roupas bonitas e caras. Cada vez mais caras. E "namoradas" cada vez mais bonitas. O famoso amor que a minha mãe me falava ainda não me tinha batido na cara. Não sentia nada pelas raparigas. Era impressionante. Algumas souberam disso, outras preferiram nem perguntar. Eu não mentia, dizia que não sentia nada e para não fazer muitos planos acerca daquilo.O domingo agora era cada vez mais dificil para estar com elas. Menti algumas vezes só para dormir. Elas não matam mas, aleijam.Fiz dezoito e não me deixavam tirar a carta. Se eu fizesse a promessa que acalmava eles deixavam. "Com a vida que levas nao!" era o que me era dito. Eu aceitava com um encolher de ombros e seguia em frente.Sentia-me acabado e sempre a precisar de dormir. Tinha sempre muitas olheiras. Elas disso não gostavam muito. Eu não me interessava. Havia sempre alguém encantada comigo. Tinha sorte mas não era supostamente feliz.
Um amigo meu já vivia sozinho. Iamos para casa dele algumas vezes depois das aulas. Beber, bebia-se mas também se fazia outras coisas. Falava-se essencialmente. Da escola, raparigas vocês sabem. Não andava de "trombas" nem a olhar sempre para o chão. Apenas ria-me pouco e tinha noção que havia gente bem pior que eu. Bem pior mesmo.Ele viva no quinto andar. Tinha elevador. Um grande elevador.Eles falavam muito da vizinhança. Diziam-me que havia uma pela qual eu ia ficar derretido. Ri-me, nao me derreto assim por uma mulher quanto mais por uma rapariga. Não me acreditava naquilo.~
Faltava um mês e meio para os meus dezanove. Eu sem carta. Os dezanove a chegar. Continuava a ir a casa do meu amigo.Naquele dia foi diferente. Muito diferente. Já não namorava á três meses. E as pretendentes eram algumas. Mas não me aptecia ninguém. Sentia-me bem assim. Naquele dia foi diferente. Na aula o pessoal disse para eu aparecer lá em casa do meu amigo. Eu não combinava horas desde os quinze anos. Dizia que aparecia e aparecia quando podia mas, aparecia. Quando dava a palvra dava a palavra. Disse que depois passava lá.Fui para casa. Tomei banho, jantei. Despedi-me dos meus pais. Nada como devia ter sido mas ao menos despedi-me.
Fui ter com eles. Não lhes dizia que estava a caminho nem nada do genero. Aparecia e pronto. Iamos sempre pelas escadas. Naquele dia foi diferente. Ia sozinho e quis ir de elevador. Esperei, esperei e de repente apareceu mais alguém. Eu percebi pelo bater da porta. Fazia uma barulho absurdo mas desigual a qualquer porta.Assim a porta fechou-se e veio alguém também esperar, como eu, pelo elevador. Não era costume nem olhar para o lado nem dizer "Boa noite." ou algo do gênero. Naquele dia foi diferente. Olhei e.... O que é isto? Que é isto aqui ao meu lado? Não consigo deixar de olhar. Minha nossa mas que beleza é esta? Que pureza e tranquilidade é esta? Pensei eu. E disse-lhe: "Bo bo bo boa noite." Merda! Agora virei gago? Eu não gaguejo com raparigas mas o que é isto. O que se passa afinal.Estava nervoso. Não me sentia assim desde os quinze anos. Parecia que ia para um jogo decisivo. "Boa noite!" disse-me e ajeitou o cabelo. Como adorava poder ver-te fazer isso mais vezes. Sorri para ti e perguntei se estava tudo bem. Acenas-te a cabeça. O elevador chegou. Finalmente. Sentia-me nervoso e corado. Maravilhoso. Sentia-me patético. Mas tu gostaste. Eu senti. "Para que piso vais?" fui apanhado de repente pela tua pergunta. Arregalei os olhos e pensei. "Ahh... Quinto piso!" Carregaste no quinto e no quarto. Soube logo qual era o teu piso. No segundo piso entraram dois homens. Tu como eras simplesmente maravilhosa e não sabias o quanto nao te apercebeste da "avaliação" que eles os dois te fizeram. Eu vi. Iamos frente no elevador. Eu de maõs nos bolsos e tu de sacos de lojas de roupa na mão. Tu olhavas para os teus sapatos. Eu para cima. Naquele dia foi diferente. Olhamos um no outro ao mesmo tempo. Eles olharam para ti. Mais uma "avaliação" sobre ti. Tu viste. Eu não. Não te agradou tal "avaliação" e olhaste para mim outra vez e mostraste-me os dentes. Adorável. Eu fiz te a cara do quem diz:"Deixa lá, com a tua beleza é natural que olhem..."Eles continuavam a olhar e a olhar. Tu sentiste sob pressão de tantos olhares e eu reparei nisso. Naquele dia foi diferente. Naquele dia mexi-me. Esperei que olhasses para mim. Sobre tanta "avaliação" sobre ti lá deixaste os teus sapatos e olhaste para mim. Não esperei mais, e fui em direcção a ti. Ficaste assustada mas eu não quis saber. Beijei-te na mesma. Oh, meu amor, trocava todos os finos que bebi até á data para repetir beijo como aquele. Finalmente senti-me bem ao beijar-te. Com as outras era somente troca de saliva. Contigo era troca de amor, paixão. Eu amava-te e tu também me amavas a mim.Eles deixaram de olhar para ti. Olharam para nós. Com eles podiamos nós bem. Saiste no teu piso. Estavas brilhante e vi que me amavas. Estava no céu. Agora percebia a minha mãe. Era como voltar a jogar ténis e a ser certinho. Melhor até julguei eu.Disse-te adeus em voz baixa. Não respondeste. Apenas sorrias e sorrias.
O elevador fechou. Fui ter com o pessoal. Cumprimentei-os e ofereceram-me logo alcool. Disse que não. Riram-se e perguntaram se estava doente. Diss-lhes: "Não. Estou apaixonado!"Disse-me o Roberto: "Estás bem pior então..." e rimo-nos todos. Não bebi alcool naquele dia. Só pensava em ti e no próximo beijo.Saí de casa deles. Era tarde. Muito. Ia sóbrio. Naquele dia foi diferente. Naquele dia ao atravessar a passadeira fui atropelado.
Naquele dia foi diferente. Naquele dia morri. Não levava alcool em excesso comigo. Levava um beijo teu, e chegou bem.

Para o infinito e mais além...


Eu também quero voar.
Eu também mereço voar...

Alive!

Se tudo correr como esperado irei e, espero não ir sozinho, ver os Coldplay dia 6 de Julho ao Alive. Quero tanto ir, quero tanto vê-los que nem consigo dizer mais nada acerca deles. Só penso em ouvi-los ao vivo, aposto que vou chorar =D

(Vejam o vídeo está qualquer coisa)

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Não me diz respeito mas...

"Tenho frio..." disse-me ela com o seu olhar de quem queria muito o meu abraço.
"Anda cá! Ficas já quentinha..." Disse-lhe eu ao mesmo tempo que os meus dois braços a prendiam somente a mim.
"Estou bem melhor oh quentinho!" e sorriu.
"Bem melhor estou eu agora cubo de gelo." Sorriu ela novamente, tinha a facilidade de te fazer sorrir com uma simples frase o que era mágico porque não eras pessoa de andar sempre a sorrir.
"Sabes, isto vai durar bem mais do que tu pensas..." referiu ao mesmo tempo que me olhou nos olhos, eu aqui, aqui ficava sempre com um nervosismo na barriga e encantado pela tua pureza estar assim tão reflectida nos teus únicos olhos.
"Não vamos pensar nisso agora..." é verdade, eu fugia e fugi sempre a este tema, tinha bem encaixado que quando os dias fossem maiores que as noites eu, já andaria novamente com quem andava á alguns meses atrás. Tinha e tive medo de te dizer que era isso que se ia passar, eu gostava de ti, não te amava mas gostava de ti. O problema é que tu gostavas ainda mais de mim do que eu de ti.
"Tudo bem, só queria que tivesses consciência disso!" e agarrou-me no queixo.
"Eu tenho, eu tenho..." menti-te, quer dizer não foi bem mentir porque eu tinha conciência... de que aquilo não ia durar muito. Consideremos uma ocultação de um facto que para mim era certo.Não me sentia propriamente mal com o que se passava porque no fundo, tu estavas feliz eu não, mas tu sim e eu deixei andar.E então demos um beijo como tantos outros que foram dados e só me vinha a cabeça a música dos Coldplay "Trouble" quando ele canta "And I never meant to cause you trouble, I never meant to do you wrong..." mais tarde fizeram sentido mas naquele momento não.O beijo nao me soube bem, não trazias o amor que era costume nem eu o gosto que era habitual. Tive medo, ali, percebi que tu também como eu já sabias que aquilo iria ficar por ali. Pensei que demorasses mais tempo, sempre esperei pouco de ti e muitas vezes fui supreendido por ti.Liguei o carro que tanto gostavas e que consideravas confortável, o carro cujo foi alvo de tanta brincadeira, tanta conversa só nossa e muito nossa.Liguei o carro e fomos embora dali. Puseste o rádio mais baixo. O que se passa? Não é costume fazeres isto, é costume o contrário. O que se passa?
Foi então que no teu bom inglês me dizes." I can't keep being your second choice. Not when you are my first."
Aterrorizei-me ao descobrir que afinal tu já sabias o mesmo, como eu, que aquilo iria terminar mais cedo do que tu e só tu queria que acabasse.Depois do aterrorizado fiquei muito f*****, por tu saberes e não me teres dito nada, sem razão para ficar assim mas fiquei, f*****. Nós, homens, somos sempre assim, erramos mas empurramos sempre o erro para a mulher, talvez por ter uma imagem (enganadora) de um ser frágil. Em seguida a terceira não entrou, arranhou, arranhou e lá entrou e as tuas palavaras arranharam bem mais que a terceira acredita. Encostei o carro, pus os quatro piscas, desliguei o carro e só depois olhei para ti. Já choravas. Meu Deus, como fui capaz de te por assim, choravas e as lágrimas caiam sobre o teu rosto até serem dissolvidas no teu cachecol.
Eu bem queria falar mas nem sabia o que te dizer e depois da coragem me aparecer disse-te:"Não é por mim é por ti, não chores, eu não mereço nem uma lágrima tua pelo que te estou a fazer. Tenho muita pena acredita que tenhas descoberto tudo sozinha acredita." Viras-te a cara para a janela. Detestava quando o fazias e tu sabias bem disso.
"Chama-me estúpido, um parvo, homem sem coragem e um utilizador de bons coraçoes porque tens toda a razão. Agora por favor não chores."
Tornas-te a olhar para mim e dizes-me: " Mas eu Amo-te..." eu dei-te um abraço e disse-te: "Eu só gosto de ti, muito mas só gosto... Desculpa-me." E ficamos cerca de vinte minutos enrolados um no outro com lágrimas e silêncio em nosso redor.

Assim, quando os dias foram maiores que as noites estavamos nós com os nossos amigos e onde era suposto passarmos férias... Tu continuavas com o brilho nos olhos mas fundamentalmente olhavas como quem me dizia: "Fizeste-me e fazes-me feliz... Valeu a pena, acabou mas foi muito bom." eu continuava com o olhar de um muito obrigado por ainda estares do meu lado.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Senhor

Sempre gostei do Robbie Williams mas agora, mais do que nunca, estou a apreciar bastante.
Tem um toque de "senhor" que gostava bastante de ter... Não podemos ter tudo é bem verdade.

Adoro quando ele canta:
"Give me something to die for
Or design a quiet mind
Something to like mankind for
Cause we don't lie, my heart and I."



És um senhor e que ninguém duvide =D